Sul Fluminense - Terça-Feira, 7 de setembro de 2010
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Contos de Mercado (por: Ronald Oliveira)
Eles não estão ligados!

A cidade estava infestada de lojas de todos os tipos, para todos os públicos. Aliás, faltava um público que não tinha uma loja voltada para eles: o público jovem. Justamente aqueles que gastam, que saem em turmas para torrarem a grana dos pais. Um homem, no alto de seus cinqüenta anos viu esse nicho e resolveu montar uma loja de dois andares, com tudo para o jovem: CDs, roupas, acessórios, etc.. A idéia foi boa, mas a divulgação e a decoração...

Um homem que não tinha filhos, sobrinhos nem contato com jovens, jamais conseguiria uma empresa de sucesso se não ouvisse o seu público. E ele não ouviu.

Achou que seria muito fácil criar alguma estratégia de divulgação da loja sem saber quais os meios para se chegar ao jovem. Gastou uma fortuna com anúncios em jornais, TV (nos horários da tarde, hora do “Vale a pena ver de novo”, da Globo, e até pela manhã, na hora do programa da Ana Maria Braga) e rádio AM.

Passou-se um mês, passaram-se dois meses, três... e na loja entravam pouquíssimas pessoas. Aliás, esses que ali entravam, não gostavam bem do ambiente, com uma decoração “careta” (tudo sem cor, pintura em tons pastéis e decoração com plantas e quadros). E o som ambiente era uma rádio AM, com “o melhor do sertanejo” tocando o dia inteiro. Qual jovem consumiria num local assim?

Mas para não gostar, era preciso que lá fossem. Mas havia o detalhe da mídia mal escolhida, que não alcançava seu público-alvo. Assim, simplesmente os jovens nunca estarão lá. E por um simples fato: eles não sabem da loja, eles não estão “ligados”!

O QUE FAZER? Não faz muito, estava cá com meus botões, refletindo acerca de um público específico o qual o Marketing se vale: o público jovem; o público adolescente, mais especificamente.

Acredito ser, esse, o mais complexo público-alvo o qual os profissionais de marketing possam direcionar suas ações, afinal de contas, o segmento voltado para os adolescentes voltam-se para um público complexo, mutante, sem idéias nem comportamento fixos e bem definidos.

Criar hábitos e tendências para esse público não raro, é estar fadado ao desespero por parte dos profissionais da área. Criar produtos e serviços, com algumas raríssimas (e gratas) exceções, passam por concepções que tantas vezes não representam o real gosto, a real busca dos jovens. Tantas vezes, após anunciar com estardalhaço na mídia determinado produto, vê-se que aquilo chegou num momento tardio, uma vez que a tendência que antes era um hábito, já havia mudado drasticamente.

Uma loja que pretenda vender para o público jovem deve atentar não apenas para os produtos, mas pela decoração. Primeiramente é preciso ouvir o que eles gostam e o que fazem. Porém, basicamente, a decoração dos locais voltados para os jovens deve receber uma “roupagem” colorida, como eles gostam. Pichações nas paredes; fotos de personagens e bandas que estejam na mídia; TVs expondo clipes; luzes coloridas. Que tal inovar oferecendo uma parede para o jovem escalar dentro da loja? A verdade é que, se não se posicionar a empresa e a comunicação como o público é, não se conseguirá mais do que prejuízo.

E como anunciar para um público jovem? Qual a melhor mídia a ser adotada?

Cada vez menos os jovens têm o costume de assistir à TV. As rádios, na maior parte das vezes, possuem um alcance tão curto que uma difusão voltada a uma "massa" torna-se inviável. O jovem, que nunca se interessou por leitura, cada vez menos se preocupa com tal questão, ou seja, anunciar em jornais e revistas nem sempre também surtem o efeito esperado.

A internet, seguramente, para muitos, poderia ser citada como a mídia da atualidade ao alcance do público adolescente. "Seria"! Seria caso os jovens se conectassem com o intuito de "navegar" pela "teia" de informações desse ambiente virtual. O adolescente adotou a cadeia virtual para jogar "on-line", para expor suas fotos nos blogs e fotologs, para acessar pornografia, para encontrar seus amigos e fazer outros novos nos "orkuts da vida" ou, simplesmente, para dispensar seus papinhos nos chats. Seria dificílimo criar algo que chamasse sua atenção, que os fizesse trocar seus objetivos e manias em prol de uma empresa específica.

Cada vez mais os sites de empresas com produtos voltados para os jovens procuram se adequar a essa tendência, inserindo links para páginas de jogos, ou dispondo seus próprios games em suas páginas. Ainda oferecem dicas de assuntos "da moda" para agregar valores aos seus websites, algo que nenhuma outra mídia é capaz de proporcionar. Também é interessante implantar um site que ofereça a possibilidade de o jovem interagir com outros, enviando seus próprios vídeos, músicas, fotos e outros materiais para serem “trocados” no site da marca. Interessante, não? Outras adotam medidas como patrocinar ou mesmo criar seus próprios eventos, onde uma quantidade significativa de jovens estará concentrada, melhorando a difusão dos estímulos para a captação das informações por parte dos "aborrecentes". Quem dera que nosso personagem tivesse agido dessa forma... certamente sua empresa estaria “bombando”.

É, sim, incomensurável a proporção das dificuldades em se voltar esforços para os jovens. Tudo muda neles. Seus estilos, suas tendências, seus anseios, suas gírias, suas filosofias. Aspectos de um grupo, aspectos típicos de sua meia-idade. Contudo, aspectos capazes de deixar com os cabelos em pé, quaisquer profissionais que tenham que trabalhar diretamente com eles. Mais parece uma forma de traquinagem desses jovens para com cada empresário ou profissional de Marketing.

RONALD OLIVEIRA é consultor em Marketing graduado pelo UniFOA; empreendedor. Contato: ronald_ninho@hotmail.com

Postada em: 19/11/2009 | 18:42:20